Crônicas do ônibus


04/01/2011


Freitas

Ele espera. Ônibus cheio não dá. Ainda mais em dia de chuva, quando todas as janelas (pequenas, e normalmente em conflito com os bancos)

estão fechadas. Espera, espera, espera. Passa a moça bonita com guarda-chuva fashion, passa o moço com guarda-chuva quebrado, passa

o cachorro sem guarda-chuva. Finalmente um ônibus chega. Sem lotação, ele pega.

O preço ainda não aumentou. Questão de dias para isso acontecer. Senta-se logo para recomeçar a ler seu livro. É o melhor amigo quando

se está num ônibus, melhor até do que a possível música vinda pelo rádio do celular. Mas eis que, no meio do caminho, não vê uma pedra e sim

um velho amigo de trabalho, afastado por ordens de chefias que vão e vem. A subida do fanático coritibano no mesmo ônibus é uma alegre surpresa,

saudada pela tecnologia, através de uma foto dos dois, via celular. Se no futebol 2010 a alegria foi grande para os dois, o início de 2011 começa com

este encontro feliz e inesperado. Um, comemorando 8 títulos num ano só: paulista, copa do Brasil e, graças a CBF, 6 brasileiros. O outro, após o

sofrimento do rebaixamento, alegre pela volta do Coritiba à primeira divisão. Mas o ponto chega, e esse encontro não marcado acaba interrompido.

Fica marcado na lembrança, mais confiável do que a tecnologia, já que, até agora, a foto prometida não chegou no celular...

Escrito por blogdocoletivo às 10h26
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